SaúdeTranstorno obsessivo-compulsivo
tem novo tratamento
É comum escutar uma música no rádio e, durante todo o dia, um dos trechos ficar gravado em nossa mente. Quando isso torna-se excessivo, passando a ser constante, pode ser sintoma de uma doença conhecida como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), que também atinge crianças. Para este mal o médico psiquiatra Fernando Ramos Asbahr, coordenador do Ambulatório da Ansiedade da Criança e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, coordena um novo tratamento, utilizando medicamentos e terapia.
O TOC se caracteriza como uma doença de transtorno de ansiedade em que os principais sintomas são a obsessão e a compulsão. Quando uma idéia, imagem ou frase são repetitivas, indesejadas e "invadem" a consciência do indivíduo contra a sua vontade, trata-se de obsessão. A compulsão é o intuito de realizar esta idéia. Em outras palavras: obsessão é o pensamento; compulsão, o ato.
Por exemplo, uma pessoa que acredita contaminar-se ao encostar em qualquer lugar (sintoma excessivo) tem uma obsessão. O fato dela precisar lavar as mãos várias vezes após o contato com objetos é a compulsão. Estes sintomas podem ocorrer de diversas formas: saber se está tudo bem com os filhos e não deixar nada fora do lugar, entre outros.
O transtorno obsessivo-compulsivo é uma doença crônica (não tem cura) e dificilmente inicia-se na velhice. De acordo com o psiquiatra, a patologia estende-se ao longo da vida e, na infância a idade em que aparece com mais freqüência é aos 10 anos e, na fase adulta, o pico é por volta dos 23 anos.
Asbahr ressalta que o TOC é mais comum em adultos, mas crianças também sofrem desse problema. Estima-se que 3% da população apresente essas alterações de comportamento. "Já tivemos caso de criança com 3 anos portando a patologia. Não existem estudos ou motivos específicos, mas o TOC é mais comum em meninos e, na fase adulta, chega a um mesmo número entre homens e mulheres".
TRATAMENTO
No primeiro utiliza-se principalmente antidepressivos que, segundo a médica psiquiatra Ana Regina Geciauskas Lage Castillo, responsável pelo Ambulatório de Ansiedade Infantil do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, não apresentam efeitos colaterais graves, mesmo quando tomados em doses altas.
Já a técnica cognitivo-comportamental consiste em trabalhar para que a ansiedade do paciente diminua, ou seja, se a pessoa acredita estar contaminada e precisa lavar as mãos, a terapia procura permitir que a pessoa tenha apenas a obsessão e permaneça com a idéia no consciente. "Quando esta técnica é bem executada e seguida com vigor pelo paciente á que o desempenho dele é fundamental, em seis meses de tratamento poderemos obter alguns resultados", esclarece Asbahr.
O médico afirma que a técnica cognitivo-comportamental não é realizada com freqüência. As crianças geralmente são encaminhadas para terapia e não apresentam melhora nos sintomas, ficando até quatro anos em tratamento. Existem casos de pessoas que escondem a doença e, quando procuram ajuda, já estão em um estágio avançado. "A patologia não se instala da noite para o dia, aos poucos vai piorando e, se um profissional não for consultado, o tratamento será mais trabalhoso. Em média, os médicos são procurados oito anos depois do início da doença".
Internação é recomendada apenas em casos específicos como, por exemplo, a pessoa não conseguir ficar sozinha, ou quando o transtorno obsessivo-compulsivo é acompanhado de depressão intensa.- Já que não há cura, o tratamento é realizado a fim de diminuir os sintomas. Pode ser de duas formas: medicamentoso, com ênfase na diminuição da obsessão, e terapêutico por meio da técnica cognitivo-comportamental, atuando para que a compulsão seja evitada.
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